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Francisco Antônio Alves Rodrigues, conhecido pelos amigos como Tonhão, iniciou sua carreira odontológica em Belo Horizonte, por lá ficou trabalhando por dois anos e devido a um acidente automobilístico com seu pai precisou retornar a Franca em 1977. Onde construiu um trabalho de sucesso. É formado pela antiga Fiube (Faculdades Integradas de Uberaba), hoje Uniube (Universidade de Uberaba), em 1975.
Conheça um pouco mais deste profissional que se sente realizado na profissão que escolheu:
Papiro - O que o levou a escolher a odontologia? Tonhão - Confesso que ainda jovem, fiquei indeciso entre a veterinária e a odontologia pelo simples fato de ter nascido no seio de uma família de agropecuaristas, exportadora de café, criadora de gado de corte e uma das maiores produtoras de leite da região. Passava minhas férias na fazenda, em meio a serviços com gado ou lavoura. Ao mesmo tempo, minha admiração pelos profissionais que cuidaram de minha saúde bucal desde minha infância até minha adolescência, era enorme. Aprendi que a facilidade que tinha desde muito jovem, com trabalhos manuais, seria útil na odontologia. Escolhi a Odontologia e não me arrependo. Ela só me trouxe alegrias. Com ela pudemos, Lucinha (Marilucia Nassif Alves Rodrigues, também cirurgiã dentista) e eu, criar os quatro filhos. Amo essa profissão e me sinto realizado nela.
Papiro - Você também, além de ter seu consultório, é dentista pela Prefeitura, qual a sua avaliação da saúde bucal dos brasileiros? Tonhão - Acredito que a odontologia não é levada a sério, nem pela população, que procura o dentista em casos extremos, nem pelo poder público, que em uma cidade como a nossa, possui uma quantidade de dentistas muito aquém do adequado para uma população extremamente necessitada e carente. É importante saber que o governo precisa estimular ações preventivas porque ao realizarmos a prevenção bucal do brasileiro no momento exato, os danos serão infinitamente menores no futuro, como por exemplo, a perda de dentes e a manifestação de doenças bucais, além da economia em recursos financeiros, uma vez que prevenir custa muito menos do que corrigir.
Papiro - Quando foi presidente da APCD Franca, o que marcou mais sua gestão? Qual foi este período? Tonhão - Fui presidente da APCD no biênio 90 / 91, substituindo o querido colega, João Carlos de Castro. Aprendi muito com a grande maioria dos ex – presidentes, que me apoiaram e me deram assistência sempre que necessário. Senti-me muito seguro desde o princípio, porque grande parte dos associados aprovou minhas atitudes e minha transparência na gestão dessa entidade. Tive a alegria de poder contar com colegas e grandes amigos, cujos nomes prefiro não citar para não cometer injustiça e esquecer – me de algum. Minha esposa, Lucinha, sempre ao meu lado como meu braço direito, meu coração e minha mente, me fez muito feliz, ao participar comigo e me encorajar em mais essa empreitada. Minha gestão ficou marcada porque mesmo com tantos problemas inerentes à todas as entidades de classe, “meu grupo” de diretores se manteve muito unido. A união e amizade, com certeza foi o ponto mais alto dessa gestão. Não só com os diretores, mas com uma quantidade enorme de associados. Na realidade, esses amigos perduram até hoje. A participação dos associados em todos os eventos realizados, foi sempre surpreendente e gratificante. Serei eternamente grato às pessoas que fizeram com que minha gestão fosse tão gratificante.
Papiro - Como foi trabalhar como delegado do CRO? O que dava mais problema na época junto aos odontólogos? Tonhão - Me senti muito bem como delegado. Posso afirmar que me senti até um tanto confortável nessa função. Ser delegado do CRO, para muitos significa “problemas”, mas na realidade, não é bem assim. Você precisa ser cuidadoso ao mesmo tempo em que faz cumprir as normas. Normas existem para serem cumpridas e o melhor era fazer com que os colegas entendessem isso com bom humor. Os maiores problemas encontrados foram os que partiram de algumas clínicas populares da época, onde não existia qualquer senso ético. Outras vezes, reclamações de clientes com respeito ao não cumprimento dos Tonhão e sua esposa, Lucinha, lutam pela odontologia francana contratos de serviços de parte dessas clínicas, ou propagandas ilegais, como por exemplo, os panfletos atirados por aviões e ainda placas de publicidade fora dos padrões.
Papiro - De que maneira solucionou os mesmos? Tonhão - Sempre com uma boa conversa os problemas foram resolvidos. Nossos colegas têm boa receptividade quando se chega aos consultórios com um sorriso no rosto e um bom papo. Com essa forma de trabalhar, através desse cargo pude fazer amigos não só em Franca como na região de abrangência da nossa delegacia.
Papiro - Você foi o primeiro homenageado com a Medalha Tiradentes, qual o sentimento deste reconhecimento? Tonhão - Caramba! Foi uma homenagem que me pegou de surpresa. Realmente não esperava. Emocionou-me muito e ainda me emociona. Lucinha sabe o quanto... O sentimento que adveio dessa homenagem é o de agradecimento à Deus, à esposa, aos filhos, aos colegas da querida APCD, ao CROSP, e aos meus pacientes. Fiz tudo o que pude pela minha profissão e o fiz com alegria, com prazer. Participei de negociações, como representante da APCD e do Conselho. Não tive medo de dar a cara à tapa em nenhum momento para defender nossa querida odontologia fosse junto à população ou ao governo.. Talvez tenham sido esses os motivos da minha indicação. Essa homenagem, com certeza, aumentou e muito minha responsabilidade para com todos que me cercam e que comigo convivem.
Papiro - Nos momentos em que não está trabalhando, o que gosta de fazer,? Tonhão - Curtir minha casa com minha família, é sem dúvida alguma, meu melhor prêmio. Gosto de ir à Rifaina, espairecer um pouco. Sentar à beira d’água e ver o Rio Grande correr, escutando o barulho das águas e o canto dos pássaros. Chamo Rifaina de “meu paraíso”, pois lá na fazenda, passei boa parte da minha vida. Andar de moto, mesmo que sozinho, às vezes por horas, pela cidade ou rodovias em torno da região. Gosto de fazer poesias, trabalhos manuais ( pequenas fontes, arranjos florais) ou pintar. Também curto aquarísmo e procuro estar sempre com Marvin, um cão da raça Golden Retriever de três anos. Viajar também é muito bom e tanto faz mar ou montanha.
Papiro - Seu hobby, me informaram, é motociclismo, por onde gosta de acelerar? Como descobriu este gosto? Tonhão - É verdade. Sou um apaixonado por motos e isso já veio no sangue. Não tenho veias, tenho rodovias onde o sangue corre. Meu velho e querido pai,”Seu Quico”, embora não tenha tido condições de ter uma moto, sempre foi um apaixonado por elas. Isso passou para mim e eu já passei aos meus filhos, que também adoram motos. Na moto, a sensação de liberdade é impressionante .Há uma frase que diz: “Muitos falam sobre liberdade, mas somente os motociclistas a conhecem de verdade”. Aproveito para esclarecer algumas coisas com respeito à motos e motociclismo: Ser “motociclista” requer cuidados e normas de conduta e não importa o tamanho ou as cilindradas da moto. Importa o espírito. Não é porque o cara é motoboy, com uma moto de 125 cilindradas, que não é motociclista. Conheço muito cara que tem moto de 1000 cilindradas, mas infelizmente é motoqueiro. Ser “motoqueiro” é outra coisa... Nunca chame um motociclista de motoqueiro. Muitas pessoas me perguntam se não tenho medo dos perigos de andar de moto, mas moto não é uma coisa perigosa. O perigo está em quem pilota a moto. Não costumo “acelerar”. Minhas viagens são sempre no limite que as rodovias permitem. Gosto de viajar para lugares aprazíveis, como Serra Negra, Barra Bonita, Tietê, Itu, Águas de Lindóia, Vinhedo, Caminho das Águas, os caminhos de Furnas à Areado Rifaina, Sacramento, Uberaba. A paixão pelo motociclismo é tão grande que quando eu morrer (daqui muito tempo), não quero ser cremado, quero ser cromado... Muitos me perguntam se não me acho velho pra andar de moto. Primeiro, não me acho velho, me acho muito jovem. Não penso em parar de andar de moto tão cedo, uma vez que não se pára de andar de moto porque a gente fica velho. A gente fica velho porque parou de andar de moto. |