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Preocupada em contribuir com o bem estar do ser humano, a cirurgiã dentista, Dulce Helena Pena de Andrade, optou fazer da sua profissão um instrumento de auxílio às pessoas. É grata a importantes pessoas que a auxiliaram no seu crescimento profissional como os professores, Pedro Bignelli, Alfredo Nutti, Dionízio Vinha, Regis Alonso Verri e Silvestre Arnaldo Grandini, e também aos colegas Dr. Máximo Marson Filho e Dr. Ricardo Moreno. Conheça um pouco mais desta sua colega.
Papiro - Onde se formou e qual a sua especialidade? Dra. Dulce - Formei-me na Universidade de São Paulo de Ribeirão Preto em 1983 com mestrado e doutorado em reabilitação oral. Fiz especialização em prótese buco maxilo facial, em odontologia hospitalar, pacientes com necessidades especiais, odonto gerontologia e educação para sexualidade. Atualmente sou professora do curso de odontologia da Universidade de Franca e atuo como cirurgiã dentista no ambulatório de doenças sexualmente transmissíveis da Prefeitura Municipal de Franca. Também me dedico ao meu consultório e atuo na Santa Casa de Franca no atendimento odontológico sob anestesia geral.
Papiro - Por que escolheu a odontologia? Dra. Dulce - Quando me formei em odontologia, minha professora do segundo ano primário, a Sra. Leila Ticly, presenteou-me com meu caderno de composição, guardado por ela durante todos esses anos. Nesse caderno registrei o que eu queria para o meu futuro: “serei dentista ou enfermeira para cuidar de crianças especiais”. Creio que esse sentimento já estava dentro de mim, pois não houve influência direta de ninguém.
Papiro - Informaram-nos que a Dra. é engajada na área social. Quais os trabalhos sociais que realiza? Dra. Dulce - Desde pequena, na escola primária, gostava de brincar com as crianças especiais na hora do recreio, pois nessa época, existiam as classes de alunos especiais. Tornei-me voluntária da APAE na década de 80 quando tive o prazer de conhecer o colega dentista da instituição, o prezado Dr. Marson. Apaixonei-me pelo trabalho dele. Ele foi um exemplo para mim. Participo da Pastoral da AIDS que é um trabalho ecumênico voltado para cuidados e prevenção das doenças sexualmente transmissíveis. Juntamente com nossa equipe da Unifran; Soraia Marangoni (diretora do curso de Odontologia), professora Luciana Assirati, os alunos do quarto ano de odontologia e eu, desenvolvemos um trabalho voluntário no Lar de Idosos Eurípedes Barsanulfo. Fazemos a avaliação necessária dos pacientes na instituição e em seguida os idosos são encaminhados para a clínica de odontologia da Unifran para realização do tratamento necessário. Além do tratamento trabalhamos bastante a integração entre eles organizando festa junina, festa do idoso etc
Papiro - Por meio destes trabalhos o que percebeu sobre os problemas bucais dos mais carentes ou doentes? Dra. Dulce - Hoje estou bem focada na APAE e na Pastoral da AIDS. Nesse contexto, presencio que as pessoas perderam o sentido da vida e a boca é o primeiro reflexo desse fato. A falta de valorização de si e o fator econômico ajudam na deficiência de tratamento dentário. Acredito que nós profissionais da área necessitamos analisar a saúde bucal como um todo na sociedade. Valorizar o sorriso além dos dentes.
Papiro - As DSTs prejudicam então a dentição? Dra. Dulce - Não diretamente. Existem patologias bucais associadas à doenças infecto-contagiosas, dentre elas as DSTs. Acontecem algumas alterações na cavidade oral que podem surgir como conseqüência da utilização de antiretrovirais e medicamentos utilizados no tratamento das doenças associadas, como por exemplo estomatites e a xerostomia.
Papiro - Há como prevenir estes problemas? Dra. Dulce – Os cuidados de prevenção são universais; realizar uma boa escovação, aplicar flúor, utilizar uma escova adequada. Recomendo sempre a escova mono bloco científica desenvolvida pelo professor Pedro Bignelle e sua equipe da USP de Ribeirão Preto, pois evita traumatismo porque é bem macia e a contaminação na superfície da escova é bem baixa. Como esse público é mais suscetível a apresentar problemas de várias naturezas, devem também ter um acompanhamento profissional muito regular para solução imediata dos problemas que surgem. A prevenção é sempre a solução e o caminho para evitar problemas maiores.
Papiro - O que espera na odontologia em 2012? Espero que o compromisso social da odontologia se fortaleça cada vez mais como uma reabilitadora de sorrisos, trazendo mais felicidade ao mundo. |