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Cada vez mais se trabalha com o conceito de saúde que vai muito além do aspecto físico do indivíduo, envolvendo também os âmbitos mental e social. Nesse sentido, faz-se importante que os profissionais dessa área repensem sua atuação e caminhem em direção ao cuidado integral da pessoa que se propõem a atender.
Voltando essa reflexão para a área da odontologia, deve-se reconhecer que, por muito tempo, suas bases se firmaram na proposta da alta competência técnica e da superespecialização destes profissionais, arriscando-se, muitas vezes a, involuntariamente, desvincular a saúde bucal da saúde geral.
Entretanto, já há alguns anos, estudos da área têm demonstrado o impacto das condições bucais na qualidade de vida e no bem-estar dos indivíduos. A saúde bucal tem sido relacionada a problemas psicológicos, especialmente envolvendo a autoimagem e a autoestima – por exemplo, a depressão por ausência ou precariedade de elementos dentais, levando ao isolamento e a consequentes prejuízos nos relacionamentos social, familiar, amoroso e profissional. Por outro lado, a boa auto-estima é importante para a manutenção de hábitos saudáveis em termos do cuidado à saúde geral e bucal, como atentar à higiene pessoal e evitar omportamentos nocivos (tabagismo, alcoolismo, etc.). Além disso, quando se trata da saúde bucal de crianças, é essencial considerar a dimensão sóciofamiliar, uma vez que complexas questões envolvendo as relações entre pais e filhos podem ser determinantes na sua manutenção ou negligência.
Tais elementos corroboram a idéia de que o cuidado à saúde bucal não pode mais prescindir da atenção a outros aspectos da vida dos pacientes, pois estes se mostram intimamente relacionados tanto às causas quanto aos resultados do tratamento odontológico.
O ponto de vista que se defende aqui, portanto, é que haja uma abertura maior por parte dos profissionais de Odontologia em termos da busca constante do vínculo, do acolhimento e da escuta. Dessa forma, poderão estar sensíveis as demandas que transcendam a saúde bucal, cumprindo o importante papel na orientação e, se necessário, encaminhamento dos pacientes para cuidado de suas questões.
Acredita-se que, desta maneira, será possível um movimento cada vez maior de interdisciplinaridade que permitirá o trabalho das verdadeiras causas de uma série de problemas, não mais apenas de seus efeitos – o que está em consonância com a proposta de atenção integral à saúde, comprovadamente mais eficaz e necessária na atualidade.
Luciana Palermo Coelho Graduada pela FFCLRP-USP, aperfeiçoamento no Hospital das Clínicas da FMRP-USP. Atua como psicóloga clínica, atendendo crianças, adolescentes, adultos e pacientes oncológicos
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