Papiro
- O marido que era francano então?
Dra. Diva
Barini -
Isso
mesmo. Meu marido foi para Curitiba
fazer um curso de química metalúrgica.
Nos conhecemos em um piquenique, namoramos
e casamos.
Papiro
- Como era conciliar a vida de mulher
em casa e de profissional no consultório?
Dra. Diva
Barini - Nunca
tive dificuldades para lidar com a
vida de mulher na lida com marido,
filhos e profissão. Eu viajava
muito. Mesmo quando meu marido morreu
eu colocava meus filhos na perua e
ia para Curitiba
Falo muito para as mocas que vem aqui.
“Primeiro case com uma formatura
e depois com um homem”.
Eu acho muito importante o papel da
mulher na odontologia. Apesar de o
curso ser para homens e mulheres eu
acho as mulheres mais pacientes.
A odontologia é um ramo de
trabalho muito especial e gostoso
de exercer.
Papiro
- A odontologia é a profissão
dos seus sonhos?
Dra. Diva
Barini - Não.
Meu sonho era fazer medicina, mas
na faculdade desisti por causa das
aulas de anatomia. Não gostei
dos cadáveres. Acabei fazendo
odontologia.
Me formei com 21 anos e casei com
25 anos. Na minha época o curso
de Odontologia era só de três
anos.
No começo trabalhei numa fábrica
de fósforos e numa fábrica
de fitas em Curitiba. Atendia os funcionários.
Depois uma dentista desistiu da profissão
e alugou o consultório dela
para mim.
Papiro
- Como foi exercer a profissão
aqui em Franca?
Dra. Diva
Barini - Aqui
meu primeiro consultório foi
na casa do meu sogro. Depois meu marido
construiu um sobrado na Rua Couto
Magalhães e meu consultório
era embaixo.
Aqui onde estou hoje era o consultório
do Dahul. Eu alugava uma sala do Ramón
Ribeiro aqui do lado, depois comprei
aqui do Dahul e estou até hoje.
Nem me lembro quanto tempo faz.
Eu fazia a parte clínica no
começo, depois passei a fazer
ortodontia.
Papiro
- Algum de seus filhos seguiu a odontologia?
Dra. Diva
Barini - Não,
nenhum, mas tenho um sobrinho que
também escolheu a odontologia
e mora em Bauru.
Papiro
- Qual o papel da APCD na sua carreira?
Dra. Diva
Barini - Muito
importante. Participei muito das famosas
Semanas Odontológicas.
Nas atividades da APCD hoje não
participo mais. Minha mãe depende
de muitos cuidados e acabo ficando
com ela.
Dra.
Diva
Barini - Resumindo...
Eu sou e fui muito feliz na profissão.
Me sinto ainda com muita capacidade
para trabalhar. Depois se eu não
tivesse minha profissão, com
a morte do meu marido eu passaria
apertada.
Me perguntam se eu não vou
parar de trabalhar e eu digo: “Só
na véspera”!