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ENTREVISTA |
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Dr.
o que o levou a escolher a Odontologia
como profissão?
Sou
Cirurgião Dentista por
vocação, pois
nasci na roça, não
escovava os dentes e nem penteava
os cabelos. Tenho, graças
a Deus, bons dentes, herança
de família italiana.
Nasci
em família humilde. Estudei
na escolinha da roça
e também no Colégio
Champagnat. Depois, em 1959,
fui pra Ribeirão Preto
cursar Odontologia.
Não
sabia nem conhecia a realidade
de um consultório. Conheci
o boticão na faculdade.
Me
formei em 62 e tive a oportunidade
de fazer um curso muito bom.
Foi uma fase de transição
de faculdade particular para
se tornar a USP do estado.
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Depois
de formado me estabeleci em Franca.
Trabalhei por cinco anos no grupo
escolar de Cristais Paulista e
todo esse tempo, sempre participando
de cursos, congressos e aperfeiçoamentos.
Fui
um dos primeiros a me especializar
em Prótese. Coisa muito
rara na época. |
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O
Sr. teve alguma influência
na escolha da profissão
dos seus filhos?
Nunca
influenciei nenhum dos meus
filhos a seguir minha carreira.
Eles escolheram por espontânea
vontade mesmo.
Tem
até uma história
engraçada com meu filho
caçula, quando ele ainda
era pequeno. Certa vez ele esteve
comigo no consultório
e coincidiu de todos os clientes
que passaram no dia fazerem
o pagamento.
No
final do dia ele disse que queria
trabalhar comigo. Falei que
primeiro ele teria que fazer
uma faculdade, pois não
sabia nada da profissão.
Ele disse, “não
pai, eu quero trabalhar no caixa”,
inocente, achou que era assim
que se ganhava muito dinheiro.
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Que
diferença o Sr. vê
em exercer a profissão
hoje e há 40 anos atrás?
A
grande diferença que
eu vejo é no campo econômico.
Há 40 anos atrás
era bem diferente. Saiamos da
faculdade, montávamos
um consultório e tínhamos
muito trabalho. As pessoas tinham
bons empregos e condições
de pagar um tratamento adequado.
Hoje,
o mundo passa por problemas
econômicos. O brasileiro,
em especial, enfrenta uma crise
de desemprego muito grande.
Tiveram épocas em que
trabalhávamos com uma
lista de espera de 30,40 dias.
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A
odontologia também mudou
muito. Temos mais foco na prevenção.
Hoje o dentista ensina a escovar
os dentes, a passar o fio dental,
enfim, a conservar a saúde
bucal. |
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Fala-se
muito em excesso de profissionais
no mercado. O que o Sr. pensa sobre
isso?
Há
30 anos atrás já se
falava em excesso de profissionais
e falta de pacientes e eu aprendi
com um paciente fazendo esta mesma
colocação. Ele me respondeu
o seguinte: “Para os bons profissionais
sempre terá espaço”.
O
que não vale a pena é
o profissional ser pescador de final
de semana e passar de segunda a terça
contando sobre a pescaria. Tem que
dedicar a profissão.
Eu,
como tantos outros colegas que se
dedicaram aos consultórios,
nunca tiveram este problema. Diminuiu
muito sim, mas dá pra trabalhar.
Qual
é o significado da APCD para
o Sr.?
A
APCD fez parte da minha vida. Ganhei
até o título de “Cidadão
Francano” em resposta aos trabalhos
realizados pela classe durante os
oito anos participando da associação.
Coincidentemente
fui presidente, mas o mérito
é de toda a classe que lutou
por todas estas conquistas.
Sempre
ajudei um pouco aqui, um pouco ali.
Hoje eu não ajudo em nada,
aliás, eles que me ajudam com
homenagens e outras coisas.
Eu
costumo dizer que a APCD foi mais
um filho que tivemos. Foi muito trabalho
e dedicação. No começo
a sede era na minha casa e a secretaria
era minha esposa que, aliás,
não ganhava nada.
Contei
com a grande participação
dos colegas na construção
da nova sede. Não citarei nomes,
pois posso omitir alguém, todos
têm méritos e seus nomes
estão na placa de inauguração
da APCD.
Durante
as quatro gestões em que presidi
mudava-se a diretoria, mas não
mudava o presidente. Eles acreditavam
que mantendo o presidente poderiam
continuar com o clima e o entusiasmo
da construção da sede
e da conquista de patrimônio.
Ao
mesmo tempo em que construíamos
a sede, trabalhávamos na parte
cientifica. Fizemos a Semana Odontológica
por 32 anos seguidos. Nas Semanas
Odontológicas, criadas em 69,
reuníamos os profissionais
e trazíamos os especialistas
e professores para as conferências.
Naquela
época eram poucos os especialistas.
O estado de São Paulo tinha
apenas cinco faculdades, hoje somam
43.
Quando
assistíamos palestras fora,
trazíamos os professores para
colaborar com a gente aqui também.
Posso dizer que as maiores autoridades
da odontologia estiveram aqui dando
cursos e participando de nossos eventos.
Tínhamos
até um time de futebol e isso
fortaleceu muito o companheirismo
entre a classe. Jogamos muito contra
sindicatos, bancos, empresas, etc.
Fizemos muitas amizades.
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Como
o Sr. vê a APCD hoje?
Hoje
a APCD está muito bem.
Muito voltada para a parte científica
o que era um grande sonho nosso.
A associação tem
cumprido seu papel, não
só como entidade de classe,
mas também como papel
social, pois nos cursos ministrados,
pessoas carentes se beneficiam
dos tratamentos.
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E
ser professor? Como está sendo
esta experiência?
Fui
convidado a dar aulas na clínica
integrada da Unifran, passando minha
experiência de consultório,
adquirida em todos esses anos de dedicação
a odontologia.
Hoje
dou aulas de Odontologia Legal para
4º ano e de Oclusão para
2º ano.
Foi
uma ótima oportunidade para
rever e recordar matérias.
Ser
professor nunca havia me passado pela
cabeça, mas quando estudei
no Colégio Champagnat eu participei
de uma academia literária que
existia no colégio.
Eu levei muita vantagem nisso, não
só na parte de oratória,
mas escrevendo e fazendo discursos.
Hoje vejo que foi muito válido.
A palavra ajuda muito. Numa classe
reunida um bom discurso motiva e entusiasma
os alunos.
Posso
dizer que ganhei muito sendo professor.
Ganhei amigos e admiradores. Tenho
ex-alunos que me ligam de Manaus,
de Goiânia, do Pará,
pedindo orientações
ou mesmo para conversar. A faculdade
me renovou. Readquiri aquele espírito
de estudante. Conviver com os jovens
você volta a viver aquele entusiasmo
e aquela esperança. E tem a
parte da experiência também.
Tem muitos estudantes que são
carentes de uma palavra de “pai”.
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Que
mensagem o Sr. deixa para os
jovens profissionais?
Procure
ser um bom cirurgião
dentista. Não se preocupe
em ser o melhor, por que o melhor
não existe, as marcas
são sempre superadas.
Existe sim o que realiza um
melhor trabalho. |
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