A Síndrome da Apnéia Obstrutiva do Sono (SAOS) é um distúrbio respiratório caracterizado por episódios recorrentes de obstrução total ou parcial da via aérea superior durante o sono, os quais levam a redução na saturação sanguínea de oxigênio e a despertares freqüentes, que causam fragmentação do sono. “Os sinais e sintomas mais comuns são o ronco, a sensação de sono não reparador (cansaço ao acordar) e a sonolência diurna excessiva. Durante a noite, o companheiro (a) de quarto relata ocorrência de roncos, com episódios de engasgo ou pausas respiratórias, além de movimentos que interrompem o sono. O sintoma diurno mais importante é a sonolência excessiva, causada pela má qualidade do sono, que pode prejudicar o desempenho profissional do paciente e, nos casos mais graves, ocorrer inclusive em situações ativas, aumentando o risco de acidentes em casa, no trabalho ou automobilísticos”, explica Dra. Ana Célia Faria, cirurgiã bucomaxilo facial. Os pacientes também podem apresentar prejuízos das funções cognitivas como concentração, atenção e memória, além de alterações de humor (irritabilidade e depressão). Estes fatores geram piora da qualidade de vida.
Causas
A SAOS é uma doença de causa multifatorial e ainda não totalmente esclarecida. Entre os fatores predisponentes temos a obesidade, as alterações anatômicas das vias aéreas superiores (aumento de tecido mole na faringe, úvula alongada, aumento das tonsilas palatinas) e alterações do esqueleto facial (retrognatia, hipoplasia maxilar) associadas a alterações neuromusculares da faringe.
Diagnóstico
O método diagnóstico padrão é a polissonografia, que é um exame feito em centros especializados (laboratórios do sono) e que realiza a monitorização de variáveis fisiológicas do paciente durante uma noite inteira de sono, identificando o distúrbio do sono e sua gravidade. Desta forma, o diagnóstico da doença é de competência do profissional médico. Porém, por se tratar de uma doença de origem multifatorial, cada vez mais se vê a importância de uma abordagem multidisciplinar no tratamento desses pacientes. O papel da Odontologia está se tornando cada vez mais significativo no manejo dos pacientes com SAOS. “O cirurgião-dentista inserido em equipes multidisciplinares pode realizar avaliação das características anatômicas do esqueleto facial que podem estar contribuindo para o desenvolvimento da SAOS, através da cefalometria, fornecendo dados importantes para escolha do melhor tratamento. Em conduta conjunta com o médico, o cirurgião-dentista pode realizar tratamento com aparelhos intra-orais, que são dispositivos usados na cavidade oral durante o sono com o objetivo de aumentar o espaço aéreo posterior orofaríngeo, reduzindo a possibilidade de colapso das vias aéreas. Outra importante modalidade de tratamento é a cirurgia ortognática, através do avanço maxilo-mandibular (AMM)”, detalha Dra. Ana Célia. Não se pode esquecer também da importância de trabalhar preventivamente com as crianças, promovendo crescimento ósseo adequado, visando minimizar quadro futuro de SAOS, através de tratamento ortodôntico ou ortopédico funcional.
Complicações
Um dos maiores problemas da SAOS é que uma grande parte dos pacientes permanece sem diagnóstico e, portanto, sem tratamento. “A SAOS não adequadamente tratada representa potencial fator de risco para doenças cardiovasculares (hipertensão arterial sistêmica, insuficiência coronariana, insuficiência cardíaca, arritmias cardíacas, acidente vascular encefálico). Existem evidências de aumento da taxa de mortalidade cardiovascular em pacientes portadores de SAOS”, ressalta a cirurgiã dentista.
Tratamentos
Os tratamentos para SAOS podem ser clínicos ou cirúrgicos. Existem também as chamadas medidas gerais ou comportamentais, que devem ser recomendadas para todos os pacientes: normalizar o peso corporal; evitar decúbito dorsal para dormir; não ingerir bebidas alcoólicas; evitar sedativos e tranqüilizantes; tratar processos alérgicos e/ou infecciosos das vias aéreas superiores.
Os tratamentos clínicos incluem os aparelhos de pressão positiva em via aérea (CPAP) e os aparelhos intra-orais (AIO). O CPAP caracteriza-se como um método físico-mecânico de ar comprimido, utilizando máscara nasal, que tem por princípio manter a pressão positiva e contínua nas vias aéreas, para desobstruir a passagem de ar durante o sono. O principal tipo de AIO utilizado atualmente é o aparelho reposicionador mandibular, que tem por objetivo protruir a mandíbula, mantendo-a estável durante o sono, visando aumento do volume das vias aéreas superiores.
Os tratamentos cirúrgicos procuram direta ou indiretamente aumentar o tamanho da faringe ou diminuir sua possibilidade de colapso. Estes incluem as cirurgias da faringe (uvulopalatofaringoplastia, cirurgias do palato mole, procedimentos na base da língua), as cirurgias do esqueleto facial (avanço maxilo-mandibular) e as cirurgias nasais.
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