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A Endodontia Atual
 
Endodontia, até um passado recente, submeteu-se a uma estagnação evolutiva das diversas fases do tratamento, principalmente no que tange ao preparo biomecânico e à obturação dos canais radiculares, além contar com princípios filosóficos ainda oriundos do empirismo.
Hoje, nós endodontistas vivemos uma nova era em que os recursos tecnológicos nos possibilitam o desenvolvimento de um tratamento endodôntico mais simples, rápido e seguro sem, no entanto, nos deixarmos levar pelo tecnicismo e desconsiderar princípios filosóficos alicerçados por achados de autores como Kronfeld, Sundqvist e Tronstad que vislumbraram novos conceitos biológicos e microbiológicos que passaram a nortear nossa Endodontia de alguns anos para cá.
Dentre os recursos tecnoló-gicos atuais devemos destacar o ultra-som que foi introduzido na Endodontia por Rickman, em 1957, porém, com algumas limitações que o impediram de se firmar como recurso para a instrumentação dos canais radiculares até o ano de 1986, quando Martin idealizou a associação da energização ultra-sônica do instrumento en-dodôntico com a irrigação concomitante e contínua dos canais radiculares, oferecendo um preparo biomecânico bastante rápido, mas ainda sujeito a críticas relacionadas à manutenção da forma original do canal radicular. Atualmente, além do emprego do ultra-som em outras diversas situações clínicas, como remoção de pinos intra-radiculares e instrumentos fraturados, retratamentos endo-dônticos, cirurgias parendo-dônticas, etc., nossa equipe da Disciplina de Endodontia da FOAr UNESP Araraquara tem desenvolvido algumas técnicas de preparo biomecânico por meio ultra-sônico, nos permitindo a execução mais rápida e segura desta etapa, vista por muitos como a mais importante do tratamento endodôntico. Uma dessas técnicas consiste na associação da instrumentação ultra-sônica com a rotatória, empregando instrumentos de liga NiTi, outro novo recurso tecnológico que tem sido a grande vedete da Endodontia atual.
A instrumentação rotatória surgiu após o advento da liga de níquel-titânio, uma liga ultra-flexível desenvolvida por um departamento da NASA denominado Naval Ordenace Laboratory para a confecção de antenas de satélites, daí o nome nitinol a ela dado.
A ultraflexibilidade dessa liga possibilitou o acionamento de instrumentos endodônticos com ela confeccionados sob cinemática de rotação de 360o em torno de seu próprio eixo a uma velocidade média em torno de 300 rpm. Sua confecção por usina-gem desencadeou uma revolução em termos designe, incluindo o desrespeito às especifica-ções da ANSI/ADA e ISO/FDI que, a partir da idéia de John McSpadden, possibilitou o emprego alternado de instrumentos com conicidades de 0.02 a 0.12mm/mm em sua área ativa, numa mesma seqüência de preparo, diminuindo assim, a superfície de contato desses instrumentos com as paredes dentinárias e conseqüentemente seu stress e possibilidade de fratura. Dentre os diversos sistemas rotatórios encontrados no mercado, destacamos o sistema K3 da Kerr, o Pro Taper da Dentsply e o sistema HERO da Micro-Mega, com o qual desenvolvemos uma seqüência reduzida de preparo dos canais radiculares empregando um número reduzido de instrumentos, sem contudo interferir no resultado final do preparo, tornado-o mais simples, rápido, seguro e com um custo bastante acessível. Da mesma forma encontran-se no mercado motores e contra-ângulos cada vez mais sofisticados para oferecer ainda maior segurança ao emprego desses instrumentos.
Além de novos instrumentos e técnicas para o preparo mecanizados dos canais radiculares, também dispomos atualmente de novos materiais e técnicas para a obturação dos canais radiculares.Como materiais, destacamos os cimentos a base de hidróxido de cálcio, mais biológicos, com propriedade de estimular o reparo apical e periapical, muitas vezes induzindo a neoformação de tecido mineralizado.
Como técnicas, merecem destaque as termoplastificáveis da guta-percha e, para estas existem hoje cones de guta-percha do tipo á, que são mais susceptíveis à elevação térmica, plastifi-cando-se mais facilmente e apresentando melhor adesividade.
Ainda temos como inovações, os novos localizadores apicais eletrônicos, importantes auxiliares na execução da odontometria ou determinação do comprimento real de trabalho, com índices de acerto em aproximadamente 98% dos casos.
Não poderíamos deixar de citar outras inovações que vêm de forma crescente ocupando seu espaço no arsenal endodôntico atual, como o laser de baixa e alta intensidade, já estudados e utilizados por nossa equipe em suas diferentes aplicacões, bem como o microscópio cirúrgico, grande auxiliar no diagnóstico de fraturas radiculares, localização de enbocaduras de canais como também em cirurgia paren-dodôntica.
Sem sombra de dúvida, hoje vivemos um momento ímpar na história da Endodontia e devemos aproveitá-lo da melhor forma possível, nos atualizando e diferenciando num mercado de trabalho cada vez mais competitivo.
* Professor Assistente Doutor da Disciplina de Endodontia da Faculdade de dontologia de Araraquara- UNESP
 
 
 
 
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